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Vila Mimosa, qualquer dia tamo aê

Ronald Rios

Texto de fevereiro de 2008

Eu e Mr Catra. Ele não foi comigo, mas seria legal se tivesse ido.

Vou começar explicando como eu vejo o carnaval: não vejo. Evito tudo. Nem na tv eu acompanho. Ela fica sintonizada no Fantasia. Evito tudo mesmo, até os “programas alternativos”. Porque uma coisa é você odiar carnaval e não ir conferir o carnaval de rua, mas mesmo assim ir em festas não-carnavalescas, que embora não toquem “música de carnaval”, são embuídas pelo espírito carnavalesco. Aí surgem essas paradas tipo “Carna-Rock”, “Electro-Carna” ou “Quarteto de Cordas-Carna”. Eu evito até essas coisas. Soa como uma piada sem graça tanto asco organizado.

Mas eu não quero ser chato, e acho que cada um faz o que quiser da sua vida. E o que eu faço da minha vida no carnaval é nada. E tem dado certo há anos. Até agora. O fim de semana foi tranquilo, mas segunda-feira, meu amigo Pedro ligou para mim, avisando que estava numa praça aqui perto de casa, e que queria companhia para beber. Como parceria é parceria, fui encontrá-lo para tomar uma cerveja, passar umas 2 horinhas, e voltar para casa. Tá tranquilo.

Daí começamos a rodar por Bonsucesso. Meu amigo me convenceu de que valia a pena dar um rolê mais bacana – porque o rolê em Bonsucesso é deveras caído – e decidimos dar um pulo na Lapa. Tem um bar lá que eu gosto, daria para ligar para outros amigos e pronto, seria uma noite bacana – ainda que fora do meu plano, mas eu também não levo minhas convicções tão a sério assim.

Pegamos o 497. Nice, great success. Então quando estávamos no começo da Avenida Presidente Vargas, meu amigo diz:

- Tá a fim de ir naquele puteiro, a Vila Mimosa?
- Eu não vou em puteiro, cara.
- A gente vai lá só para conhecer!
- Não… sossega aí.
- Cara, é pertinho daqui. Se a gente saltar agora, a gente anda uns 15 minutos só. A gente não ia beber na Lapa? Bebe na Vila Mimosa que tem umas minas peladas!
- Hmmm… com certeza é melhor que ver os travecos da Lapa. E a gente tem que conhecer isso um dia. Que se foda, vamo lá!

E descemos do ônibus. Fomos caminhando pela Presidente Vargas. A gente não estava só a “15 minutinhos” do começo da Praça da Bandeira. Tinha que andar um bocado, na verdade. Aliás, para quem não sabe, é na Presidente Vargas que ficam os carros alegóricos antes de entrarem na Marquês de Sapucaí para o Dudu Nobre comentá-los. Então fiquei caçando o tal carro dos judeus amontoados, para ver por que eles estão chorando dessa vez.

Não achei. Depois eles reclamam quando uns nazistas bostinhas dizem que o Holocausto não existiu. Seguimos pela Presidente:

- Legal, legal. - disse o Pedro, animado.
- É, vai ser legal.
- Quanto você tem de dinheiro aí?
- Não interessa, Pedro. Eu não vou pagar nenhuma prostituta.
- Ah, cara! Pô, se já tiver lá…
- Não. Eu não pago por sexo. É o limite, cara. O cara que paga por sexo é aquele garoto gordinho que só podia jogar bola na rua porque era o dono da bola. Ele não sabe realmente jogar, ele não é legal o bastante para deixarem ele jogar mesmo ele sendo ruim, e como as pessoas precisam muito daquela bola, não podem nem falar para ele como ele joga mal. Eu não quero ser esse garoto.

Na verdade, eu era o dono da Adidas que quicava aqui na rua, mas… bom, o 2Pac dizia que é hora de mudanças.

- Mas só um boquete de 10 reais! - insistia o Pedro.
- O quê?
- Um boquete por 10 reais. Se tiver um boquete por 10 reais, eu vou!
- Eu não. Você obviamente não dá o mesmo valor que eu à um boquete. Veja bem, quando você coloca um valor em algo tão especial, você simplesmente tá jogando fora a beleza do gesto. Tá dizendo “10 reais. É isso que vale um boquete.” Eu não vou pagar por boquete nenhum. Nem você. Não enquanto eu estiver de olho. Duas coisas sensacionais que eu nunca vou te deixar comprar: boquetes e pochetes. O primeiro para não desvalorizar o gesto. O segundo é porque embora sejam extremamente úteis, são ridículas. Se as mulheres usam salto-alto mesmo que isso não seja a melhor coisa para a saúde delas, nós podemos nos privar das pochetes. Carregue coisas com a mão, diabo!

Quando estávamos já na Praça da Bandeira, vinham 3 caras caminhando em nossa direção. De repente um caiu para trás e dois continuaram. Os caras se ligaram, olharam para trás e tava lá o amigo deitado tremendo loucamente. No começo, eu pensei que o cara tava zoando. Talvez fosse essa a 6ª velocidade da Dança do Créu. Mas aí o cara continuava tremendo, e eu me liguei que as roupas dele estavam limpas, e como o chão tava muito sujo e molhado por causa da chuva; para o cara estar zoando, na moral, tem que ter um BAITA senso de humor. Então era isso: mais do que um puteiro, essa noite eu veria um ataque epilético!

Vou contar para vocês que, olha… um ataque epilético ao vivo, ali, de forma absolutamente inesperada: é muito mais engraçado do que você imagina! MUITO mais.

Andamos mais um pouco.

- É agora, Pedroca.
- Sim, sim. Tô ficando com medo. Sei não hein, Rios.
- Não, mas não vamos desistir. Estamos em maioria.
- Contra o quê?
- Não sei. Pensei que você ia ficar confiante se eu falasse isso.

E chegamos na Vila Mimosa. Eu tinha que fazer isso. Como carioca, eu precisava falar “Eu conheço a Vila Mimosa.” Finalmente eu conheceria esse estabelecimento de que ouço falar há anos! O lugar que eu sempre descrevi para os amigos de fora do Rio como “Cara, aqui tem um puteiro que tem mulher sem-braço. Veja bem, não é uma metáfora. Falo de seres-humanos do sexo feminino sem os membros superiores!”

Fomos andando e de imediato eu fiquei decepcionado. Não era visualmente como eu pensava. Eu imaginava que fosse uma loooonga vila com várias casas dispostas uma de frente para outra. Mas ela é assim: uma vila curtinha com 2 galerias principais, vários botecos e muitos quartinhos. Umas putas transitam na rua e bom, eu não fiquei decepcionado com elas. Eu realmente já imaginava que elas fossem feias. São. Umas um pouco, outras bastante. Umas têm um aspecto meio lamentável mesmo. Teve uma BEM feia e assustadora que eu esbarrei nela e ouvi um eco “AIDS!”

Havia também gordaças! Veja bem, nada contra gente gorda, vamos ser amigos de todo mundo e deixar todo mundo brincar. Mas havia algumas prostitutas BEM gordas. Havia uma especial que não era gorda do tipo gorda. Era gorda do tipo FETICHE de comer gorda. O cara sai do trabalho e fala “Malandro, tenho que comer uma gorda! Mas tem que ser muito gorda! Ela tem que estar comendo uma empadinha de frango enquanto eu estiver comendo ela!”

Como eu não estava lá para provar nenhuma delas, continuei a circular na área. Vi bastante putaria, mas nada me impressionou muito os olhos. Eu não tava com o sensor da sacanagem ligado. Tava realmente dando um rolê científico. Tipo quando você compra a Playboy por causa da entrevista.

Passando numa das galerias, um pouco distraído e tomando cuidado onde esbarrava, algo terrível acontece: uma prostituta de uns 54 anos PULA em cima de mim. Ela deu um salto com suas garras para agarrar meu braço, gritando “VOCÊ É MEUUUU!

Foi o momento mais fodido. Ela ria. Eu dei uma esquivada TÃO ninja que ela nem raspou na minha jaqueta. Foi foda. Felizmente ela sacou que eu não queria contratar seus serviços e não correu atrás. Ética, sempre.

Paramos um pouco para respirar. Ficamos vendo uma mina dançando a Dança do Créu nas velocidades 2 e 3 (as menos robóticas e mais sensuais, por assim dizer). Acho que nesse momento, deixamos sim o sensor da sacanagem ligado um pouquinho. Tava bonito. E a gente precisava relaxar do susto. Mas continuamos desbravando logo que chegou na velocidade 5!

Notei que existe uma divisão de classes na Vila Mimosa: um lado é bem pobrão e o outro é mais style. Assim, nenhum dos dois é realmente rico, mas um deles é para o cara que vai todo dia, e o outro é para o que economiza e vai a cada 15 dias.

- Quanto será que ela cobra? - disse o Pedro, apontando para uma puta.
- Sei lá, uns 50.
- Tá maluco! Aquela ali é a puta mais linda que eu já vi!
- Que você sabe que é puta, talvez.
- Cara, 200 no mínimo.
- Tá louco! Aqui tem teto-salarial, cara.
- Hahahahaha.
- Tá vendo, esse é o meu… humor-político.

Ainda circulando, quase entramos novamente no corredor onde a puta velha me assediou. Evitei:

- Não vamos por aí não.
- Por quê?
- Aquela velha, né. Eu não sou dela não…
- Ela já deve ter saído dali, cara! Tem quase meia-hora. Ela já deve ter arrumado um cliente.
- Tu viu a cara dela? Ela não é escolhida nunca! Ela não é escolhida desde que começou nessa profissão. Ela não é escolhida desde antes dessa profissão! Ela não era escolhida nem no time de vôlei da escola, ela não é esco–
- Certo, vamos pelo outro lado.

Demos mais uns rolês, vimos um anão agarrado na coxa duma prostituta. “Então é ASSIM que eles fazem sexo!” e fomos embora.

- Tá feliz, Pedro?
- Tô. E você?
- Sim, sim.
- Bom, eu tô mais ou menos. Eu quero voltar lá mais vezes.
- Mais vezes? A gente acabou de sair do mesmo lugar?
- Eu acho que tô apaixonado por aquela puta de 200 reais.
- Bom, se você der 200 reais, ela pode se apaixonar por você. 4 vezes.

Eu nunca mais volto lá. Nem fodendo. Principalmente para foder, na verdade. E também nem pretendo ir em outros puteiros “para ver se é melhor”. Só queria ir na Vila Mimosa pelo fator cultural, palavra. Não vou em nenhum outro, nem voltar na VM. Se a minha futura esposa estiver lendo esse post, pode ficar tranquila. Se eu me atrasar, é que realmente fiquei preso no trabalho.

O tamanho do pênis importa sim

Ronald Rios

“O tamanho do pênis importa?” Essa deve ser a maior dúvida que os homens têm. Na verdade, nem deve ser. “Há vida após a morte?” ou “Os cachorros riem ou apenas estão mostrando a língua por estarem cansados?” devem tomar mais ainda o campo das indagações de um homem; mas no quesito sexual, pelo menos, essa dúvida vem lá na topo.

Sempre surge algum sexólogo feio – (pleonasmo? É possível. Sexólogos são homens feios em sua totalidade. Homens e mulheres feias. Não sei se é o desejo de academicamente saber mais sobre sexo do que as pessoas bonitas ou algo do tipo, mas o fato é que são feios sim) ou simplesmente uma mulher famosa – bonita, normalmente – afirmando: não, não importa. E completam: o que importa é a perfomance do DETENTOR do pênis, seja ele uma ferramenta avantajada ou modesto amendoim japonês.

A verdade eu entrego aqui de forma simples: sim, importa. Importa demais. Pênis têm que ser grandes. Cientificamente, 7 centímetros bastam para proporcionar prazer à mulher. Mas todos nós sabemos que as profundidade de uma vagina é muito maior que isso. O tecido intraplericlóvis da vagina pode ir de 72 centímetros (quando elas têm 20 anos) à 300 centímetros (dos 30 anos de idade em diante). Imagine a vagina da sua namorada como uma rodovia. Você é basicamente um velotrol nela. Sei que você não tem como ser um trem de 300 carros, mas você poderia se esforçar para ser pelo menos uma limusine de 8 portas.

Isso eu digo anatomicamente, em termos de encaixe do pênis na vagina. Agora vamos a um ponto muito importante no sexo hoje em dia: design.

Sexo é design, é forma, é olhar. A mulher tira o pênis de dentro da calça do namorado, desejando ver algo que ela possa visualizar cabendo em suas duas mãos. Algo que ela possa sentir para valer que está pegando. Não algo que ela pegue com 3 dedos. Seu pênis têm que ser como um gigantesco cachorro-quente que dê para pegar com as duas mãos e até se perder por onde começar; não como um sushi para pegar com 2 pauzinhos.

Pare para pensar no que o homem acha dos tamanhos femininos. O que importa para o homem? Homem não fica falando de formato de vaginas. Desejamos alguma que não pareça destruída pela ação do tempo – ou parto natural – e que não esteja (muito) peluda. Pronto, isso basta. A gente se importa com o formato de peito e bunda, que são coisas que anatomicamente não influenciam no sexo. Mas peitos bonitos e uma bundinha estilo É o Tchan contam muito, não? O mesmo vale para o pênis. Lá dentro o encaixe de todos é mais ou menos a mesma coisa, o que torna um bacana ou tosco para a mulher é se aqui do lado de fora, ele sai bem na foto.

Espero ter esclarecido tudo através desse artigo. A seção de comentários está aberta para tirar qualquer outra dúvida. E se você não tem um pênis grande, não se desespere, não faça nenhuma loucura! Você pode muito bem comprar na Internet uma daquelas bombas que aumentam seu pênis em até 12 centímetros. Elas são super-seguras e o único jeito de ter um pênis que se assemelhe à um controle-remoto de Sky HDTV.

Um cara invadiu meu quarto e me mostrou fotos de dragões se enrabando.

Ronald Rios

O texto a seguir foi escrito em 2008, e retrata uma das experiências mais bizarras da minha vida. Aconteceu na minha casa e na hora vi que era material para um texto bom. Divirta-se.

“Meu, tu não sabe o que que aconteceu”. Foi assim que abri conversa com 6 pessoas no MSN sábado passado. Normalmente, a mensagem seguinte seria “Os caras do Charlie Brown invandiram a cidade”, mas não foi o caso. A sequência é bem mais caótica.

Minha mãe disse que um garoto queria me conhecer, porque ela tinha falado para ele que eu “escrevo coisas”. Daí o tal garoto – filho da amiga da minha mãe – escreve também e queria me conhecer. Seria tudo normal, mas depois de eu te ter aceito o encontro, minha mãe disse: “Ele é meio doentinho, mas é muito inteligente!” Ah que beleza, era tudo que eu queria para uma noite de sábado! AACD-Delivery! Mas como o natal está chegando, senti que era a hora de agir duma forma natalina e deixei o cara entrar – até porque não tive muitas opções, já que ele já estava na porta do meu quarto.

Ele entrou, sentou na cadeira, e aparentava ser normal, fora o jeito meio animado de ser – o que poderia ser explicado por uso de drogas. Ele era esquisito, mas é do tipo esquisito que você acha engraçado e pensa que o cara é inteligente e tal. Eu estava me identificando um pouco com o cara. Isso pode indicar algum problema mental meu, mas deixemos isso para o próximo dia.

- Você que é o comediante? – perguntou.
- Bom, eu faço coisas.
- Sua mãe disse que você escreve.
- É, rola algo assim. Não escreeeeeeevo, escrevo, né.
- Eu já escrevi 5 livros.
 – disse o rapaz.
- Wow! 5 livros! Eu… eu não escrevi nenhum.

Pronto, o cara já era mais capacitado que eu.

- E você escreve sobre o quê? – eu perguntei.
- Sobre dragões.
- Dragões?
- É, todos os tipos. E você é especialista no quê?
- Fracassos, né. Sou… sou especialista em fracassos. Assim, todos os meus não-livros falam sobre isso.
- Entendi. Posso te mostrar meus livros?
- Oh, claro, por favor. Tô animado para saber sobre esses dragões.
- Estou com eles aqui no meu pen-drive. Deixa eu plugar na USB do computador?
- Sim, pode vir.
 – e levantei para dar espaço ao rapaz.

Por ora, tudo ok. Daí ele abre a pasta da pen-drive, mostra as capas dos livros, essas coisas, legal. E pergunta se eu estou interessado em ver umas ilustrações de dragão.

- Claro, como não… tô louco para isso.

E a primeira ilustração era de um dragão comendo o outro no estilo papai-mamãe.

Oh, me perdôe. Papai-papai. Eram 2 dragões machos. Eram bem dragões mesmo, com tudo de dragões, exceto pelos pênis, que eram bem similares aos dos seres-humanos. Tomei um susto.

E começou a mostrar dezenas de imagens. Boquetes, 69, de 4, frango-assado (no caso, dragão-assado) tudo que a Tati Quebra Barraco já descreveu em suas músicas; só que realizado por dragões gays!

Eu fiquei pasmo com aquilo, era uma parada de outro mundo. Era o tipo de material que eu jamais imaginei que pudesse existir, ou que alguém que não fosse de nacionalidade japonesa poderia curtir! E aquele cara curtia! E como curtia! O cara tava SUPER empolgado em me mostrar aquelas fotos, e eu estava morrendo de medo de que ele começasse a se masturbar ali na minha cadeira, porque afinal de contas, ele era “doentinho” e isso dá a ele o alvará para fazer qualquer coisa! Ele poderia me masturbar que todo mundo ia achar bonitinho!

“Ai que lindo, olha como ele molesta o Ronald, hihihi!”

E ele disse: “Posso fazer uns downloads aqui?”

Como a pergunta não envolvia as minhas ancas, eu disse “Claro, por que não?”de pronto.

E ele entrou num site muito interessante chamado Yiffstar, onde você pode encontrar mais imagens de… – eu nunca vou conseguir falar isso sem hesitar por alguns segundos – dragões machos transando. E assim, eu nem tô falando que seria bacana se fossem casais de dragões heterossexuais, é que o fator gay torna a coisa muito mais intrigante! Será que ele precisa ir tão seletivo e específico nessa pornografia bizarra? Não basta você ir no computador de um estranho abrir pornografia, tem que ser em desenho. Mas não basta ser desenho, tem que ser de sexo feito por animais. E não basta ser sexo feito por animais, tem que ser sexo feito por uma espécie de animal que só existe em RPG! E tem que ser homossexual ainda!

Esquece aquele bagulho que eu falei sobre ele aparentar qualquer normalidade!

E ele abria uma imagem. E dá-lhe dragão mamando no outro. E abria outra, e era um dragão verde sendo enrabado por um dragão negro (acho que aí a coisa ficou mais específica ainda, partindo para as relações interraciais). E ia abrindo e abrindo e eu ficando cada vez mais constrangido e gago:

- Deixa eu salvar mais uma!
- Er… uh, oh… uh. Ok.
- Agora vamos para outra, essa é diferente.
- Deixa eu adivinhar: 2 dragões fodendo?
- 3!
- Passei perto…
- E mais uma agora.
- Mais uma de dragões gays.
- Acertou!
- É… tô com muita sorte hoje.

E eu fui avisar a minha mãe, porque se eu iria expulsar o “doentinho” – porque vamos parar com essa porra de doentinho! Há limites! Doentinho para mim, é um garoto de 5 anos com bronquite! Isso é doentinho! Esse cara é SICK FUCK mesmo – eu no mínimo, teria que fazer sem parecer que eu desprezo toda a classe retardada mental.

Daí a Mamãe Rios veio aqui, viu as imagens no monitor, SE LIGOU NA CAGADA QUE HAVIA FEITO, TRAZENDO ESSE LUZ VERMELHA PRO MEU QUARTO – e tratou de inventar uma desculpa para chamar o garoto para a sala. Deu certo.

- Ah, então eu já vou! – super animado o cara, parecia havia acabado de tomar cogumelo.
- Sim, você vai, certo. – respondi.
- Você quer copiar algum dos meus livros para o seu computador?
- São todos com essa temática das fotos, né?
- Sim! Dragões! – é incrível, o putão diz “dragões” como se fosse só isso.
- Hmmm não, eu tô mais no lance de GENTE, sabe. Pessoas. Seres-humanos.
- Mais ortodoxo.
- Claro.

E ele foi. Mas o trauma ficou.

“meu, tu não sabe o que aconteceu”.

Em segundos, corri para o MSN, para contar a história para 6 pessoas. Entre elas,Chico Barney:

chico barney diz:
tu nao salvou os desenhos?

Ronald Rios diz:
salvei sim, vou te mandar

chico barney diz:
mas por favor

chico barney diz:
isso merece ganhar a luz do dia

Ronald Rios diz:

http://img248.imageshack.us/img248/5172/reptilecynrikfirstaidbb1.jpg

http://img503.imageshack.us/img503/5483/reptilecynrikflywithmekj7.jpg

http://img209.imageshack.us/img209/3299/reptilecynriktakingabrebe0.jpg

Ronald Rios diz:
vários desenhos de dragões se enrabando

chico barney diz:
eu nunca vi nada parecido com isso na minha vida

Ronald Rios diz:
HAHAAH EU TAMBÉM!

chico barney diz:
eu to barbarizado, é um dragao chupando a rola de outro dragao

chico barney diz:
q tipo de pessoa pensaria em algo assim

Ronald Rios diz:
HAHAHAAHA

Ronald Rios diz:
eu sei, chico

Ronald Rios diz:
eu sei

chico barney diz:
cara, dragoes boqueteiros

chico barney diz:
imagina isso numa jaqueta

Pois é, imagina. Vou ali tentar descansar. Isso foi demais, cruzou qualquer limite de qualquer porra. Tá ok que eu sou “liberal”, sou a favor dos gays se casarem, sou a favor das pessoas migrarem para qualquer país, sou favor do aborto, sou a favor da maconha, sou a favor do Barack Obama, sou a favor de TUDO! Mas nesse lance de desenhos de dragões gays fazendo sexo, aí eu sou conservador. Tô realmente abalado. Espero ter forças para voltar.

Até breve,

Ronald Rios

Vox-Rios: você pagaria mil reais para comer a Cláudia Raia?

Ronald Rios

Vox-Rios: você pagaria mil reais para comer a Cláudia Raia?

Eu estava assistindo a tv hoje e vi uma matéria que dizia como a Cláudia Raia é bonita, linda, mulherão e tal. Fiquei pensando “Isso provavelmente deve ser verdade.” Mas a real é que quaando eu penso em mulher bonita, eu nunca penso na Cláudia Raia. Acho o rosto da Stephanie Britto mais bonito e o corpo da Viviane Araújo mais da hora. E mulher velha, por mulher velha, eu prefiro a Diane Keaton ou a Luiza Brunet.

Aliás, falando em Stephanie Britto, vamos deixar claro aqui que eu odeio o Alexandre Pato. Sempre achei ele um jogador mais ou menos… e aí quando *vi o jeito que ele tratou a Stephanie durante o casamento, fiquei muito bolado. Primeiro era coraçãozinho na hora do gol, depois virou Baco, o Rei da Putaria? Chegando tarde em casa, tá achando que é Mike Tyson? Maluco que não trata bem a mulher, tem mais é que se foder, tem mais é que perder posição pro FRED.

Mas voltando à Claudia Raia.

Ela é bonita e tal, mas não é meu tipo. Fiquei pensando se eu comeria ela. “Provavelmente, se não tivesse que fazer muito esforço.” Que mulherão é esse? Na minha cabeça, um mulherão vale qualquer esforço e eu já fui muito mais por garotas que ninguém chamaria de mulherão, no máximo “gatinha do bairro.” Daí pensei “Pô, eu não dava nem mil reais pra comer a Claudia Raia.” Então pensei “Será que só eu sou assim?”

Essa é a origem da pesquisa Vox-Rios de hoje. Recolhemos as seguintes opiniões via Twitter, devidamente comentadas por mim:

@dougpunk: nen o edsom celulare ja esculhambou com ela1

Essa retrata aquele preconceito que o homem tem ao saber do passado de uma mulher. É mais comum do que você imagina e todos nós já tivemos esse sentimento em algum momento de nossas vidas. Aquela velha piada explica examente como funciona processo mental pelo qual o homem passa: passado de mulher é que nem cozinha de restaurante: uma vez que você conhece, não quer mais comer lá.

Continuamos com as opiniões do povo:

@Xico_Rodriguess Com mil reais da pra comer gente melhor até !! hahaha

@rogeriosartore nem a pal! com mil conto eu comeria umas 4 mina e bem melhor que ela…

@obrunos não. Comeria 5 de duzentos contos melhor que ela.

@pedroavc só se for de graça… com mil reais eu arranjo coisa melhor

Essas 4 são apenas exemplos do tipo de resposta que mais chegou ao nosso conhecimento. Muita gente acredita que com mil reais, pode-se comer bem melhor – e bem mais vezes. E isso é verdade. Uma boa prostituta bem gostosa e que faz tudo que você quer na cama oferece seus serviços dentro de uma faixa de 150 a 250 reais por uma excelente hora. E prometendo voltar mais 4 vezes, quem sabe você não consegue um desconto ainda? Se bem que se for para perder muito dinheiro para comer sempre a mesma mulher, é melhor você namorar já.

@rebuonfiglio Veio, na seca que ela deve estar sem o Edson Celulari, ela paga 2 mil pra alguém comê-la, ctza!

Interessante visão. Esse cara acha que a Claudia Raia, por mais “não tão gostosa assim” que seja, ela está numa SECA depois que terminou com o Edson Celulari. Isso é um pouco de loucura, porque buceta querendo dar é como um jovem querendo trabalhar no serviço militar: a maior parte não quer, mas se quiser, consegue na hora, NA HORA, sem a menor dificuldade.

@obradpitt sim… qtas pessoas no mundo ja comeram? é o preço da exclusividade gritar PO COMI A MULHER DO EDSON CELULARI

Que estranho prazer.

@pedrovr: claro! só p/ dizer p/ todo mundo

Cada um tira onda como pode.

@satansole se o frota comeu de graça eu é que não vou pagar né

O passado assombrando Claudia novamente.

@victorsarro Não, pq ela é velha!

Simples e objetivo.

@dicamelo claro, um rabo daquele tamanho pede uma grande quantia em dinheiro. #diretamenteproporcionais

@arthur_hvs Pagaria fácil. Sou meio tarado com véia…

Esses últimos exibem uma posição completamente distante – e rara – dos outros. Eles realmente querem. Acham que vale a pena. Tem espaço para todo mundo aqui na Vox-Rios. Agora… se liga no próximo:

@ratazanadobem eu tinha que pagar 50 mil dolares pra ela pra ela aceitar essa minha piroca fedida

Esse é o campeão. Não é que ele acha que comeria, é que ele acha que mesmo com mil reais, ainda assim não conseguiria. Cada um com seus problemas, vícios e virtudes. Ou como diz meu avô: “Cada perereca tem um preço, e todas estão caras.”

Só para fechar, olha a decepção desse rapaz:

@LR_Batista pow claudia raia nao tem outra

O cara tá achando que isso aqui é um mercadinho. Isso é uma pesquisa séria. Agradeço aos que colaboraram e ajudaram a esclarecer essa questão antes que se tornasse um problema nos divãs de todo o Brasil. Voltamos loguinho com mais Vox-Rios, ok? Beijos e abraços.

* Assim, o jeito que eu via retratado nas colunas de fofoca, que a gente sabe que é 100% verdade.

Limpando o armário

Ronald Rios

Acho que só os americanos falam “bastardo”. E isso nas séries de tv aberta. Na HBO, os caras podem falar “mutherfucker”. Bastardo, fora ser um xingamento, significa também um filho fora do casamento. Se você não conhece um bastardo, prazer.

Meu pai já era casado quando conheceu minha mãe, aos 19 anos. Eu nasci e ele arrumou uma casa pra gente. Ele não morava lá, mas eu o via todo dia. Passava as noites lá só. Minha mãe me dava a desculpa que ele não dormia com a gente porque tinha que cuidar da minha avó – que eu não conhecia, aliás. Quando ele, na verdade, ia ficar com sua família, os Gaglianone. Nome bacana que eu nunca pude usar, porque não era registrado. Tinha essa também.

Os fins de semana ele passava na minha casa. Não sei que desculpa dava para os Gaglianone, mas eu não entendia como de repente a mãe dele não precisava de cuidados médicos. Logo saquei que havia uma parada errada, mas continuei repetindo a mentira, especialmente para os amiguinhos de escola, por vergonha – e ignorância da real situação.

E assim fomos levando até 98. A relação do meu pai e da minha mãe era razoável. Eu e ele nos dávamos bem também, até. Ele ficava meio puto quando eu tirava sarro da cara dele – como da vez que eu fingi não entender a conversa dele sobre “quem joga sinuca, anda quilômetros” – , mas fora isso, sempre fomos felizes. Razoavelmente.

Em 99, eu e minha mãe já estávamos sozinhos. Eles terminaram e meu pai deve ter achado que com isso, morriam seus compromissos comigo. Ele estava quebrado, cheio de merda. Era viciado em corrida de cavalo e os negócios não iam bem. Não nos procurou mais. Minha mãe segurou a onda sozinha e conseguiu manter a casa – que ela teve que quitar – e a vida funcionando. Em 2001, fomos morar num apê legal, numa área mais segura. Foi nessa época também que me incomodou não ter o nome do meu pai no meu RG, porque sempre que alguém via meu documento, dava uma vergonha de não ser registrado. Daí fiz algo do qual me arrependo: movi uma ação judicial para pedir a paternidade dele. Não era pela grana, era só pela vergonha. Depois virou pela grana, porque a recusa dele em me registrar foi alimentando um ódio em mim que me fez querer tomar qualquer coisa dele. Queria mandar ele para a cadeia, se ele não tivesse grana para pagar.

Foi aí que eu oficializei o ódio. Foi quando comecei a fazer piadas de “meu pai morreu disso”, aonde sempre que eu queria constranger um estranho que me amolasse, dizia que meu pai morria de algo relacionado à amolação do estranho.

Mas nunca gostei que fizessem piada sobre meu pai, porque o pai era meu e só eu podia fazer as piadas, senão não era legal. É lógico que havia um sentimento. Gostava de zombar sobre ele porque fazia eu me sentir melhor.

Até hoje tivemos 4 encontros:

Em 2004 ele apareceu na porta do meu colégio. Fugi dele porque estava ouvindo as histórias mais bizarras sobre o cara. Ele estava pulando de religião de semana em semana, tava com um aspecto bem bizarro, uns 40 kg mais magro, e eu basicamente fiquei com medo dele querer me matar para sumir com o processo na justiça. Que sensação agradável!

Em 200…6! Isso. 2006 meu avô insistiu para que eu conversasse com meu pai e topei um encontro de 5 minutos. O que seria um encontro onde meu pai ofereceria ajuda no pagamento da minha faculdade virou simplesmente a oportunidade de chorar bastante sobre sua vida e deixar bem claro que ia evitar o quanto pudesse me registrar. Com essas palavras.

Em 2007 nos encontramos novamente para fazer o Ratinho. Ficamos na mesma sala para fazer um exame de DNA. O cara tava tão pilhado que só dava pena. Se essa briga na justiça não tivesse consumido tanto tempo da minha mãe (ela era minha responsável legal nos primeiros anos do processo, já que eu era menor. Era como se ela tivesse movendo o processo) e eu não tivesse tão consumido pela frieza, largava o processo aí. Quando ele foi se despedir da equipe do exame, mandou “MUITA LUZ PARA TODOS VOCÊS.” Que vergonha. Não quero o nome desse cara em nada que tivesse a ver comigo! Já basta o nome dele ser Ronaldo, tão próximo do meu.

Em 2008 deveríamos nos encontrar perante à Justiça, já que oficializou-se a paternidade pelo DNA. Mas ele faltou ao encontro, que foi remarcado para 2009. Ele estava lá. Chorava sobre a própria vida e mentia sobre ter cuidado de mim até meus 15 anos. Uma loucura. Eu fiquei muito puto. Sabe, uma vez a mãe do Rodolfo me disse que meu pai não era mau, era só fraco, covarde. Às vezes considerava isso, mas nesse dia ficou claro que o cara não prestava. Na Justiça, peguei uma pensão miserável – que nunca entrou, aliás -, alguns documentos que me garantiam o nome dele, e ouvi os procedimentos que deveria fazer para acertar tudo, aonde tinha que levar papéis e o que tinha que assinar. Não fiz nada disso e no dia seguinte continuei minha vida e nunca mais falei com ele.

Agora a vizinha vem me falar que ele morreu. Não me abalou, eu sabia que não ia me abalar. É LÓGICO que eu sinto um pouco de pena de várias paradas, tipo eu saber que agora já era, que não vai rolar perdão, que não vamos mais a nenhum jogo do Botafogo (o último que fomos, perdermos de 5×3 pro Palmeiras em 97), mas isso é tão pequeno, mas tão pequeno perto do alívio de não ter mais que ficar esperando essas coisas, que eu me sinto até bem. O alívio é monstruoso. Não preciso me preocupar mais com a possibilidade dele aparecer amanhã me pedindo favor porque “viu que eu estou bem”, não preciso ouvir as histórias lamentáveis de como eu destruí a vida dele quando os Gaglianone ficaram sabendo da minha existência, e tantas outras bobagens.

Só escrevi isso para fechar a história e não ter que ficar me explicando para TODO MUNDO por que eu não quero falar sobre meu pai. Tive que falar mais uma vez sobre ele, mas para ser a última.

Fotos da Sandy Pelada

blog do Ronald Rios, esse grande representante da REALIDADE.